Guia da Gravidez
O Medico Responde – A perguntas e Respostas
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Numa conversa entre amigas, uma delas afirmava que os abortamentos espontâneos são tão frequentes que quase todas as mulheres que mantêm relações sexuais sem precauções costumam ter, inclusive sem se aperceberem. Isto é realmente possível?

Sim. Alguns estudos demonstraram que muitas mulheres que mantém uma vida sexual activa sem protecção
anticoncepcional têm gestações que terminam em abortamento ao fim de poucos dias e expulsam embriões incipientes em mais de 10 por cento dos ciclos menstruais, sem que isso implique atrasos nas menstruações.

Na sua última gravidez, a minha cunhada teve mola e fizeram-lhe uma raspagem uterina para a retirar. O
médico disse-lhe que lhe tinham retirado tecido anormal, mas recomendou-lhe que não voltasse a ficar grávida durante, pelo menos, um ano. Qual o motivo deste conselho?

Embora se efectue uma raspagem para evacuar a mola vesical, existe sempre a possibilidade de que fiquem pequenos restos do tecido anómalo no interior do útero e isto representa um grande perigo, uma vez que poderiam transformar-se num tumor maligno. Por isso, após a evacuação da mola é preciso realizar um controlo para verificar se a sua remoção foi completa, praticando com esta finalidade análises periódicas
onde sejam medidos os níveis hormonais da gonadotropina coriónica, hormona que só se produz durante a gravidez mas que também elabora o tecido molar.E para que os resultados das analises não sejam mal interpretados e se possa garantir a cura absoluta do transtorno, recomenda-se evitar uma nova gravidez até que tenha decorrido um novo prazo razoável, geralmente um ano.

Desde que estou grávida tenho tantas náuseas e vómitos que quase não consigo comer nada. Existirá algum medicamente que me faça sentir melhor?

A utilização de medicamentos durante a gravidez, sobretudo nos primeiros meses, é uma questão delicada, porque inúmeros medicamentos podem afectar o desenvolvimento embrionário e ocasionar malformações congénitas. Se a gestante tem náuseas e vómitos, em primeiro convém adoptar medidas dietéticas para aliviar os incómodos e tentar alimentar-se bem: costumam ser melhor toleradas as refeições frequentes em pequenas fracções, os alimentos sólidos ou espessos e as comidas frias e é preferível evitar as gorduras e os condimentos. Só se recorre à administração de medicamentos quando o problema não é resolvido com este tipo de medidas e o estado de saúde da mulher se ressentir, mas os medicamentos utilizados devem sempre ser receitados pelo médico.

É possível que uma gravidez ectópica chegue até ao fim?

A maioria das gestações ectópicas termina com a morte do embrião ou do feto, uma vez que se desenvolvem nas trompas de Falópio e estas não o podem albergar. Só acontece em pouquíssimas gestações ectópicas localizadas na cavidade abdominal que chegam ao fim e permitem o nascimento do bebé mediante a sua extracção através de uma incisão na parede abdominal. São casos excepcionais, porque mesmo quando a gravidez ectópica está situada no abdómen considera-se perigoso permitir a sua evolução natural: o mais provável é que 0 feto morra e que a vida da mãe corra grande perigo.

A minha irmã está grávida e na última consulta o médico disse-lhe que tem uma insuficiência cervical e que terá de ser submetida a uma reciclagem para prevenir um aborto. 0 que significa isto?

Em condições normais, o canal do colo do útero permanece firmemente fechado durante toda a gravidez até ao início do parto. No entanto, nalgumas ocasiões o colo do útero apresenta uma fraqueza anormal e o seu canal começa a dilatar à medida que aumenta o peso do feto dentro do útero, geralmente, a partir do terceiro ou quarto mês, o que poderá propiciar o desencadeamento de um aborto. Quando este risco é diagnosticado, costuma praticar-se uma cerclagem, ou seja, coloca-se uma sutura à volta do tolo do útero para fechá-lo firmemente, como se fosse um cordão que fecha um saco. Geralmente, este procedimento é efectuado ao quarto mês de gravidez e a sutura mantém-se até uma semana antes da data prevista para o parto, sendo então retirada para que o parto sendo então realizado para que a mulher possa dar à luz normalmente.

Estou preocupada porque tenho o DIU e, embora não tenha qualquer problema, ouvi dizer que corro o risco de ter uma gravidez ectópica. É verdade?

O dispositivo intra-uterino é um método eficaz anticoncepcional e tem uma reduzida percentagem de erro, pelo que a probabilidade de ficar grávida é mínima. Mas é certo que., se o método falhar, pode ocorrer uma gravidez eclópica porque a presença do dispositivo no interior do útero aumenta as possibilidades de o óvulo fecundado se implantar fora da cavidade uterina, No entanto, não se preocupe injustificadamente, uma vez que, de acordo com as estatísticas, a incidência de gravidez eclópica é menor nas mulheres que utilizam o DIU do que naquelas que não usam qualquer método anticoncepcional.

Tive uma gravidez ectópica e removeram-me uma trompa, mas não o ovário. Sei que ainda posso ter filhos, porque ainda tenho um ovário ligado à outra trompa, mas gostaria de saber se o ovário sem trompa produz óvulos e, em caso afirmativo, o que é que acontece com eles?

Embora a trompa não exista, os ovários mantêm Iodas as suas funções tão importantes do ponto de vista hormonal, incluindo a de produzir óvulos. Os óvulos expulsos por esse ovário, perante o qual não existe uma trompa que esteja preparada para os receber, ficam simplesmente na cavidade abdominal e desintegram-se ao fim de poucas horas. Como você sabe, apesar de só ter uma trompa, é fértil e pode gerar um filho.

É verdade que, nalguns trabalhos, as mulheres que ficam grávidas correm maiores riscos de perder o bebé do que noutros?

Diversos estudos demonstraram a maior incidência de abortos e de gestações extra-uterinas nas trabalhadoras da cerâmica devido à utilização de chumbo. Outros sectores industriais onde ocorre este tipo de abortamentos, chamados abortamentos brancos, são os químicos, artes gráficas e têxtil. As trabalhadoras do sector têm um elevado nível de risco devido à possibilidade de radiações e de inalação de gases anestésicos, além de estarem mais expostas a agentes infecciosos. Na actualidade, estão a ser realizados estudos sobre a relação entre o abortamento e o trabalho durante longas horas com os computadores,

A minha prima está grávida de sete meses e diagnosticaram-lhe uma doença chamada listeria. Gostaria de saber do que se trata e se é grave.

Trata-se de uma doença infecciosa provocada pela bactéria Listeria monoeytogenes, germe que ataca com frequência os animais domésticos e raramente contagia o ser humano, seja através do contacto directo com
um animal infectado, seja pelo consumo de alimentos contaminados, em particular carnes mal cozidas ou produtos lácteos não pasteurizados. Se é contraída durante a gravidez, a doença é benigna para a mãe, dado que só provoca sintomas semelhantes aos de uma gripe c cessa em pouco tempo. No entanto, o germe pode atravessar a placenta e isto constitui um autêntico perigo, porque pode provocar um abortamento, um parto prematuro ou inclusive a morte do feto. Ora bem, se o problema íor diagnosticado com prontidão, um tratamento antibiótico de duas ou três semanas de duração pode travar a infecção.

Uma amiga minha seropositiva acaba de ter um filho que também é seropositivo, mesmo tendo ela seguido um tratamento para evitar que se contagiasse. Isto quer dizer que o bebé está infectado?

Não necessariamente. Todos os recém-nascidos filhos de mães portadoras do vírus da imunodeficiência humana são seropositivos, mas isto não implica que todos estejam infectados, dado que no seu organismo estão presentes anticorpos procedentes das mães e estes são os que se detectam nas provas serológicas. Na maioria dos casos, as análises dão resultados negativos depois de um período de seis a doze meses, quando desaparecem os anticorpos maternos, e só continuam a ser positivos quando as crianças realmente estão infectadas. De qualquer forma, hoje em dia conta-se com técnicas especiais mediante as quais se pode descartar ou confirmar a presença do vírus no organismo dos recém-nascidos, o que permite iniciar de imediato o tratamento antivírus quando é o caso.

A minha mulher é diabética e há anos que injecta insulina diariamente. Ela gostava que tivéssemos um filho, mas eu tenho medo. Correria um grande risco se ficasse grávida?

Se mantiver a doença controlada, não. Em tempos passados, quando ainda não se dispunha de um tratamento eficaz para controlar a diabetes, as mulheres diabélicas raramente ficavam grávidas. Quando ficavam grávidas corriam um grande risco, dado que a doença implicava um elevado índice de mortalidade tanto para as mães como para os filhos. Hoje em dia a situação mudou radicalmente: se realizar um estrito acompanhamento da gravidez e se contar com a colaboração de um especialista para adaptar o tratamento, a doença praticamente não ocasionará complicações para a mãe. Embora a diabetes constitua um factor de risco para o desenvolvimento de algumas complicações de gestação que podem colocar em perigo o filho, os índices de mortalidade fetal são muito reduzidos.

Se a uma mulher lhe diagnosticarem diabetes durante a gravidez, significa que será diabética toda a vida?

A maior parte das mulheres que apresentam diabetes na gestação voltam a um estado de absoluta normalidade
metabólica depois do parto e, por isso, ficam livres do problema. No entanto, aproximadamente um terço delas desenvolve uma autêntica diabetes no decurso dos dez anos seguintes. Por este motivo aconselha-se às mulheres que sofreram uma diabetes de gestação que se sujeitem a controlos regulares durante este período de risco.

Na última visita de controlo, o médico descobriu que a minha cunhada, que está grávida de seis meses, tem a pressão arterial alta. Isto representa algum perigo para ela ou para o bebé?

É possível, já que a hipertensão arterial durante a gravidez pode ter consequências graves. Por um lado, a pressão arterial elevada costuma implicar uma irrigação insuficiente da placenta e isto pode provocar um atraso no crescimento do feto e inclusive a sua morte. Por outro lado, o aumento da pressão arterial é um dos sinais básicos da toxemia gravídica, complicação muito perigosa se não recebe tratamento. Dado isto, a detecção de um aumento da pressão arterial exige a adopção de medidas terapêuticas mais oportunas em cada
caso e um controlo estrito da evolução da gravidez.

A minha mulher está grávida de sete meses e, por causa de uma placenta prévia, tem perdas de sangue. O médico diz que por agora pode permanecer em casa se ficar em repouso na cama, mas é possível que tenham que interná-la. Será que não é suficiente permanecer todo o dia na cama?

Perante o diagnóstico de uma placenta prévia, o procedimento terapêutico que se adopta pode variar, entre outros factores, em função da frequência e da intensidade das hemorragias vaginais. Há ocasiões em que basta manter um repouso relativo, enquanto que em outros casos se impõe um repouso estrito na cama. Mesmo que a mulher respeite ao pé da letra as indicações do médico, às vezes a evolução das hemorragias aconselha o internamento hospitalar para controlar melhor a situação e vigiar passo a passo o estado da mãe e do filho. Assim, por exemplo, se subitamente se desencadeia uma hemorragia tão abundante que possa colocar em perigo a vida da mãe ou provocar uma situação crítica para o filho, tudo estará pronto para realizar uma cesariana de urgência.

A gravidez da minha filha complicou-se, porque no oitavo mês teve um descolamento prematuro da placenta e teve que ser feita uma cesariana de urgência. Felizmente, a minha filha e o meu neto estão bem, mas a ela extraíram-lhe o útero e não poderá ter mais filhos. Será que era realmente necessário o que lhe fizeram?

Se os médicos tomaram tal decisão, não há dúvida de que o seria mesmo. Existem ocasiões em que o hematoma que se forma quando a placenta se desprende prematuramente infiltra as paredes do útero e isto dificulta a sutura da matriz depois de praticar a cesariana, com o terrível risco de que se produza uma hemorragia interna muito grave. Ao avaliar a situação, e ainda que se trate de uma decisão difícil, os médicos podem
determinar que a forma mais conveniente de actuar em salvaguarda da saúde da mãe é a extracção do útero.

1 Comentários

joelma

2015-12-12 02:17:33 Responder

02/07/2015 29/07/2015 e no mes de agosto atrasada e minha medica informou a gestacao errada por essas data qual meu dum ja que a minha e regular ou periodo gestacional

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